Na segunda-feira chegou a promessa às 20 famílias
que actualmente ocupam os 13 fogos do Bairro de Serviço
Ambulatório de Apoio Local (SAAL), um projecto de habitação
social inaugurado em 1979 na praia de Cortegaça, que dentro
em breve vão ter melhores condições de habitação.
Registado em protocolo, um novo bairro de habitação
social só vai ser possível com a Associação
de Moradores da Praia de Cortegaça a transferir 30 mil
euros para a autarquia vareira, de modo a que esta pague a dívida
que os moradores têm com o Instituto Nacional de Habitação
(INH) e que invista cerca de 750 mil euros nas novas habitações.
Segundo explicou Manuel Oliveira, presidente da Câmara Municipal
de Ovar, as novas casas ainda se encontram em projecto e só
depois de passarem todo o processo burocrático é
que começam a ser construídas. Optimista que dentro
de um ano pode começar a entregar as primeiras chaves,
acrescentou que o realojamento vai ser faseado. Primeiro a construção
de um novo bloco de habitações vai ser feita num
terreno cedido pela Junta de Freguesia de Cortegaça e,
à medida que os populares habitem as novas casas, os blocos
mais antigos são demolidos e reconstruídos.
Ao som das músicas do Grupo de Danças e Cantares
de Cortegaça, que animaram um "dia de festa",
o autarca frisou não estar "a fazer favor nenhum",
mas "a legitimar os direitos de quem os tem". Comparando
a satisfação destes habitantes, que actualmente
vivem em condições precárias, à "felicidade
nacional bruta", lembrou que, por ter sido o primeiro projecto
de habitação social do concelho, o Bairro do SAAL
não se distingue por dar boas condições de
habitabilidade aos moradores e salientou mesmo o perigo que é
a proximidade que o empreendimento tem face ao mar. Mas em dia
de promessas, preferiu falar do carácter de urgência
que é este projecto de integração social.
Com apenas um morador a mostrar o seu descontentamento com a forma
como os problemas foram solucionados, e salientando que preferia
doar o montante à autarquia para o financiamento de um
jardim-de-infância e não para o pagamento da dívida
que têm com o INH, todos os restantes aplaudiram a assinatura
de um protocolo que lhes vai dar novas casas para morar. Os aplausos
soaram ainda da parte de Pedro Coelho, presidente da Junta de
Freguesia de Cortegaça, que considerou um "trabalho
estóico" o de acompanhamento da situação
das famílias por parte dos Serviços Sociais da autarquia.
Para si, a "luz ao fundo do túnel" também
chegou porque a população do Bairro do SAAL "mostrou
que sabe o que quer e que consegue determinar o seu futuro".
Mas, mesmo em dia dito de festa, Manuel Oliveira recordou que
há outros problemas de habitação social por
resolver no concelho e apontou o Bairro Piscatório de Esmoriz
como "um processo mais complexo por envolver mais famílias".
Explicando que este problema vai ser resolvido "em várias
frentes", para já recordou que o primeiro passo dado
foi a deslocação do parque de campismo de Esmoriz,
uma vez que estava em terrenos necessários para a construção
de mais um projecto de habitação social.